Obesidade infantil: mudança de hábitos familiares é essencial

25 de fevereiro de 2015

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), um terço das crianças brasileiras entre cinco e nove anos está acima do peso. Entre os jovens de 10 a 19 anos, 20% apresenta sobrepeso. Criança gordinha não é sinônimo de saúde; ela faz parte de um grupo de risco suscetível a doenças decorrentes da obesidade.

“São diversas e interligadas as causas para esses números alarmantes. Os dois principais fatores são a má alimentação e o sedentarismo”, alerta o membro do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Claudio Leone.

A dieta inadequada é consequência da vida agitada das famílias e o crescente hábito de realizar as refeições fora de casa ou com alimentos industrializados e pré-preparados. Além disso, guloseimas ricas em açúcar e gorduras estão mais acessíveis, à disposição da criança.

“Os pequenos estão cada vez mais dentro de casa, em frente à televisão, computador e vídeo games, ou seja, a prática de atividade física é quase nula, principalmente nos centros urbanos. Tudo isso contribui para este cenário”, continua o pediatra.

É importante, também, considerar os fatores genéticos – filhos de pais obesos têm maior propensão em estar acima do peso, habitualmente inclusive por seguir os hábitos alimentares, nem sempre adequados, da família.  A atenção deve começar desde a gestação: mães que engordaram muito na gravidez terão crianças mais suscetíveis a desenvolver obesidade.

Danos à saúde

“Alguns problemas já aparecem na infância, como os psicossociais – consequência da provocação de colegas, brincadeiras de mau gosto e bullying”, alerta Leone. Por isso, pais, amigos e parentes não devem falar constantemente do peso da criança, pois isso pode gerar maior ansiedade e dificultar o autocontrole na hora de alimentar-se.

A obesidade infantil pode prosseguir na fase adulta, conforme apontam os números da Universidade Federal do Estado de São Paulo. Segundo a UNIFESP, as chances de permanecer o sobrepeso aos dois anos de idade são de 15%; aos 5 anos, 35% e aos 7 anos, chega a 50%. Os que se mantêm obesos até os 10 anos de idade apresentam 80% de chance de levar esse padrão no decorrer da vida.

Com isso, a saúde sofre problemas sérios, causando danos sistêmicos e metabólicos. “Por conta do excesso de peso sobre os joelhos e membros inferiores, é comum o aparecimento de problemas ortopédicos nessas regiões. Além disso, a obesidade infantil provoca alterações precoces no metabolismo dos açúcares e gorduras no organismo, inclusive com dificuldade no uso de sua insulina e glicose. Desta forma, o risco de desenvolver diabetes tipo 2, aumento da pressão arterial e de problemas cardiovasculares é elevado e significativo”, destaca o médico.

Como reverter esse quadro?

A orientação do Dr. Claudio Leone é a de realizar mudança de hábitos sempre com orientação e acompanhamento de um pediatra, se possível com apoio de um nutrólogo (ou nutricionista) e de um educador físico. “É importante que toda a família esteja envolvida nesse processo;todos precisam mudar de estilo de vida, não só a criança. O exemplo e o incentivo são peças fundamentais para um tratamento de sucesso”, aconselha.

É preciso oferecer mais frutas, legumes e verduras do que fastfood, comida processada e em conserva. Para adaptação inicial, vale oferecer as frutas em formas de suco, por exemplo, e os vegetais dentro do feijão ou suflê. O paladar da criança deve se acostumar a esses novos sabores.

Já em relação ao fim do sedentarismo, os pais devem criar condições para a prática de atividades físicas, como frequentar clubes e parques. Eles precisam ser estimulados a sair da frente da TV e ir caminhar, passear ou andar de bicicleta. “A criança que faz mais atividade física é mais saudável de um modo geral”, conclui o pediatra Claudio Leone.

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