Do nascimento à infância: cuidados para a saúde ocular

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a cada 10 casos de perda de visão, oito poderiam ser evitados se tivessem sido detectados precocemente. Segundo informações da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB), 258 milhões de pessoas no mundo têm algum problema de visão, e aproximadamente 80% delas poderiam ter evitado tal situação se tivessem ido ao oftalmologista. Certos cuidados básicos devem ser adotados desde a infância, fase em que podem ser observadas as primeiras doenças de visão.

O oftalmologista Richard Yudi Hida fala sobre os principais cuidados que se deve ter com os olhos, desde o nascimento até a infância, bem como alerta para os sinais que podem indicar algum problema ocular, como dor de cabeça, vermelhidão e sensibilidade à luz.

Recém-nascidos e bebês

Muitos pais não sabem, mas os bebês estão sujeitos a diversas doenças visuais, como retinopatia, ambliopia, estrabismo, obstrução do canal lacrimal, conjuntivite, miopia, astigmatismo etc. O ideal é que a primeira consulta a um especialista aconteça ainda nos primeiros meses de vida para detectar tais doenças. A maioria dos problemas nos olhos pode ser percebidas desde muito cedo e, quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maiores serão as probabilidades de cura ou correção da patologia.

Ainda na maternidade, os recém-nascidos passam pelos primeiros testes, em que é avaliado o reflexo alaranjado do fundo do olho. No entanto, somente depois de alguns meses é possível fazer uma análise mais minuciosa no consultório. Quando o bebê estiver um pouco mais desenvolvido, depois do quarto mês de vida, o reflexo à luz, fundo de olho, o alinhamento ocular e a eficiência dos olhos em fixar e acompanhar objetos são avaliados. É necessário estar sempre atento a quaisquer sinais estranhos nos olhos dos bebês, como lacrimejamento constante, coloração fora do normal, inchaço, secreção e outros sintomas que podem indicar algum problema. Na dúvida, um especialista deve ser consultado.

Infância

Na infância, alguns indícios também podem apontar para possíveis problemas visuais. Geralmente, nessa fase as crianças que têm alguma deficiência nos olhos também têm dificuldade no aprendizado na escola e esse é um dos maiores indicativos de que algo não está bem com a visão. Se a criança se queixar com frequentes dores de cabeça após as aulas e dificuldade em enxergar longe, é possível que tenha sido acometida por alguma doença visual. Há ainda outros fatores que podem estar associados a uma possível patologia nos olhos. Apertar os olhos para enxergar, aproximar-se muito da televisão, coceira, caspas nos cílios e lacrimejamento excessivo são fortes evidências de que há algo errado. Se alguma dessas características for notada, é extremamente importante que a consulta médica seja feita, pois muitas doenças oculares, como o astigmatismo e a miopia, se diagnosticadas na infância podem ser corrigidas.

Confira abaixo alguns sinais relevantes que podem significar algum distúrbio ocular na infância:

·         Lacrimejamento excessivo mesmo sem choro – o ponto lacrimal por onde passa a lágrima pode estar fechado quando o bebê ainda é recém-nascido. A maioria dos casos se resolve espontaneamente ou com massagens especiais. Alguns casos necessitam de cirurgia.

·         Vermelhidão – os olhos vermelhos indicam irritação, inflamação ou infecção na superfície ou dentro do olho. Exame mais específico é necessário para esclarecer a causa. Nesse caso, é necessário consultar um oftalmologista.

·         Não conseguir seguir objetos com os olhos – após alguns meses de vida, os bebês já conseguem seguir objetos coloridos e pessoas com os olhos (sem fazer estímulo sonoro). A falta desta habilidade pode ser um problema.

·         Dor de cabeça – se a criança se queixar frequentemente de dores de cabeça após a aula ou durante a lição de casa, é importante investigar as causas.

·         Proximidade da TV – crianças que se sentam muito próximas à televisão ou qualquer objeto acima de 6 metros, podem ser míopes.

·         Olho “apertado” – apertar um dos olhos é sinal de que a criança não está enxergando bem e pode estar sofrendo de ambliopia, ou seja, deficiência no desenvolvimento visual de um ou de ambos os olhos.

·     Coceira – um dos principais sinais de que pode haver uma patologia. Pode ser oriunda de algum problema de visão ou a popular conjuntivite aguda ou crônica.

·         Leitura – o fato de se perder no texto durante a leitura pode ser um sinal de alguma deficiência nos olhos.

·         Sensibilidade à luz – crianças com sensibilidade excessiva em ambientes iluminados ou sob a luz solar podem ter alguma doença nos olhos.

·         Histórico familiar – muitas doenças são hereditárias, por isso é importante levantar o histórico familiar para saber se alguém já foi acometido por alguma patologia ocular.

·         Estudos – para estudar, a criança deve estar em um ambiente iluminado por luz branca, que não gere sombras no papel. A má iluminação pode provocar cansaço visual e, consequentemente, queda no rendimento escolar.

Sobre Dr. Richard Yudi Hida

Dr. Richard Yudi Hida é cirurgião ocular e há quase 20 anos atua na área de oftalmologia clínica e cirúrgica, no tratamento das mais variadas doenças visuais. O profissional é especializado em oftalmologia pelo Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo. Foi Fellow nas duas melhores Universidades do Japão (Keio University- School of Medicine e Kyorin University), onde dominou várias áreas da oftalmologia cirúrgica. Atualmente é chefe do Setor de Catarata do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo, responsável por cerca de 500 cirurgias por mês. É também diretor técnico do Banco de Tecidos Oculares da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, responsável por coordenar a distribuição de tecidos oculares para transplante desta instituição. O profissional ainda é membro da equipe de Transplante de Córnea da Santa Casa de São Paulo. É médico voluntário, colaborador e membro do Grupo de Estudo em Superfície Ocular do Departamento de Oftalmologia da Universidade de São Paulo (USP), responsável por orientar inúmeras pesquisas internacionais sobre tratamento e diagnóstico de doenças da superfície ocular.

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