Artigo: Ser criança e ser infância – Por Lucas Lulúdico

Ser criança só se é uma vez na vida, mas ser infância é para sempre. Ao que tudo indica as fases do desenvolvimento se acumulam. Depois que aprendemos a falar não desaprendemos, mesmo calados ainda sabemos falar. Da fase criança para adolescência agora és criança e adolescente ao mesmo tempo e assim vão se somando diversas possibilidades de sermos cada vez mais nós mesmos. Quantos você-mesmo você é?

Esse não é um exercício de egoísmo, mas um exercício de sermos totalizantes em si. Não é também um exercício de se bastar, mas de se reconhecer e reconhecer o outro no seu devir, pois ele se assemelha. É enfim, reconhecer a própria vida e o ato de estar vivo. A infância é também um espaço no tempo. O fato de uma criança não pensar sobre o que faz não quer dizer que ela não está fazendo uma coisa que mais tarde venha a ter consciência.

Estar em infância é reconhecer em nós mesmos os nossos princípios e o que há de valoroso. É pensar de acordo com importâncias para sermos aquilo que exatamente gostaríamos de ser ou dar o primeiro passo para ir a busca de algo que acreditamos. A forma pronta para o desenvolvimento. Um espaço de transcendência, de ir além…

Conheço crianças que ao se depararem com seus interesses vão a fundo neles dotados de uma concentração inenarrável para o mundo de tantas informações e interferências. A sensação é que elas sabem o que é importante saber como sabem da vontade de comer.

Nas contradições com o Eu, o mundo adulto se deixa levar pelas intempéries do que parece ter sido fadado a fazer: passar de ano, vestibular, ter um bom emprego, carro uma mulher ou homem padrão, casa, filhos e por aí vai… neste curso não é a inovação – influência supérflua do mundo moderno que mais vale – o que mais vale é ser você mesmo em contato consigo para se ter ao outro. Do contrário seria o Ser esse recebedor eterno de títulos? Não acredito que seja esse o serviço da infância ou da integração da mesma na vida.

Neste curso o que vale mesmo é a renovação. O ato de atualizarmos de acordo com o princípio, um reset da alma que nos leva ao equilíbrio da balança para continuarmos.

Quando conseguimos nos integrar a todas as fases, desafios, aprendizados, etc., de origem, conseguimos entender o nosso canto primeiro. E ao nos termos por inteiro podemos nos oferecer aos outros. E como seria bonito se pudéssemos viver isso numa integração entre o que se faz, o que se fala e o que se pensa… Observe uma criança, aprenda com eles e elas. Eles e elas não sabem, mas fazem.

É neste mundo real que podemos realizar o sonho de voltarmos a ser infância.

Transbordemo-nos!!!

* Lucas Lulúdico é brincante de alma e profissão, psicólogo clínico e social, músico por hobby, arte-educador, festejador da vida, encantado pela infância, tem uma rede no alto do abacateiro do seu quintal e acredita que a vida só melhora.

3 Comentários até o momento

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  1. Ana Paula Martins
    #1 Ana Paula Martins 29 maio, 2015, 21:35

    Estamos sentindo sua falta…saudades!

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  2. Bruno Pimentel
    #2 Bruno Pimentel 21 dezembro, 2015, 12:25

    Muito interessante…

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