Música: elo entre pais e filhos – Por Angelita Broock

angelitaperfilSempre que um bebê nasce, nasce também uma mãe e um pai. É uma fase de pura descoberta, de mudanças, de muita emoção e de dúvidas. Muitos pensavam que seria uma tarefa simples, como a gente vê no comercial de papinha na televisão. No entanto, acabam se deparando com situações que aparentam não ter solução. Depois de refletir, conversar com família e amigos, acabam tomando as decisões que acham coerentes para o seu rebento, pois, na verdade, sabem intuitivamente as necessidades do seu filho. E no meio da confusão emocional há um bebê lindo (o mais lindo de todos!), que reage a sons, que produz sons, que procura a luz, que faz careta, que sorri e que faz os corações explodirem de tanto amor. E a música? Ah sim! A música está ali para tornar este ambiente mais leve, mais prazeroso e mais feliz.

A música é uma das múltiplas formas de comunicação entre a mãe e o bebê e, muitas vezes, é usada antes mesmo do nascimento. O aparelho auditivo do bebê já está completamente formado desde o sexto mês de gravidez, quando o feto já escuta relativamente bem e responde a estímulos sonoros, ainda no útero. Os primeiros contatos físicos e emotivos, bem como os estímulos auditivos, são muito importantes para o desenvolvimento do bebê.

Pesquisas na área da aquisição da linguagem mostram que as mães exercem um tipo de fala específica quando se dirigem aos seus bebês. A mãe, imperceptivelmente, muda o registro de sua voz, que normalmente apresenta uma altura elevada, lenta e com pronúncia exagerada, conhecida como “fala do bebê”. Isso traz certo conforto para o bebê, de forma que ele sabe quando estão se dirigindo a ele. Assim como a fala, o canto direcionado ao bebê também possui suas particularidades, como o uso do registro vocal agudo, diminuição do andamento e expressividade acentuada, que pode ser chamado de canto direcionado ao bebê (infant-directed singing). O bebê pode, muitas vezes,  não entender as palavras que estão sendo ditas, mas sabe, instintivamente, que estão sendo dirigidas a ele. As canções das mães normalmente são atraentes e há uma expressividade facial acentuada, o que propicia uma maior fixação e atenção.

Normalmente as mamães e os papais são os primeiros cantores de seus filhos, e a música pode se fazer presente no dia-a-dia em pelo menos duas finalidades: relaxamento e entretenimento. Mas o que cantar? Que repertório devo escolher? Nossas crianças são ouvintes competentes e devemos proporcionar a elas um repertório amplo e variado. Não precisamos nos limitar às músicas consideradas infantis e aos DVDs da moda. Podemos colocar no “cardápio musical” as músicas que gostamos e que nos fazem felizes. Seja a cantiga da vovó, seja o rock que o papai escuta, seja a MPB que a mamãe cantarola… no fim das contas, neste caso, o que importa é que música pode se tornar um forte elemento na relação afetiva entre pais e filhos.

Angelita Broock é mamãe de Cauã. Curitibana. Reside em Salvador desde 2006, quando chegou para trabalhar música com os bebês soteropolitanos na UFBA. Mestre e doutora em Educação Musical pela UFBA e uma das criadoras do Grupo Canela Fina (juntamente com Kamile Levek). Com o “Canela” trabalha nos palcos e na sala de aula com as crianças.

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3 Comentários até o momento

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  1. Maria Cristina Mota
    #1 Maria Cristina Mota 3 abril, 2015, 12:23

    Quando estive grávida, há 24 anos, não conhecia nada sobre os efeitos da música para o bebê, mas estava mergulhada em ensaios, audições, espetáculos, eventos afins, foi assim na gravidez e em toda a sua infância. Vejo como resultado que minha filha é sensível à vida, antenada, com uma musicalidade que desperta atenção, uma das criaturas mais afinadas que conheço. Além disto, a música apurou o elo entre nós!

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