Artigo: Querer Resolver É Resolver? – Por Lucas Lulúdico

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O que fazer com meu próximo que divido atenção? O que fazer com o medo que tenho de perder entes queridos? Como conseguir me proteger? De onde arranjar coragem? Ganhar ou perder? E o que é essa coisa que sinto e não consigo explicar? Como ser mais positivo no que eu sinto? A gente pode dar conta disso tudo?

Dá para perceber com essas perguntas que as questões da infância e da vida adulta não são diferentes? Elas não agem sobre uma fase da vida, mas sobre o viver. São questões que estão presentes em todas as fases do acúmulo de conhecimento que vem a ser o nosso desenvolvimento.

Uma questão que acho pertinente sobre este assunto é que não temos como nos basear numa estratégia única para dar conta da vida e isso justifica a importância de viver o momento.

É de se imaginar que essas questões não chegam às crianças com bases racionalistas e nem deveria só essa ser a fonte interna dos adultos. “Fazer é saber e saber é fazer”, dizia Maturana. Essas são interessantes pistas para lidarmos com os problemas que, na lida saudável com eles, nos tornam mais coerentes para equilibrar o que a gente fala, pensa e faz. Os momentos da vida urgem em busca de viventes e exigem uma postura do corpo todo.

Quando me perguntam para que serve uma brincadeira não consigo responder. Perguntaria de volta, para que serve exatamente a alegria? E com certeza a felicidade não é o final certeiro dessa emoção amiga. Provocaria ainda mais… Para que serve esse “tudo isso” que fazemos a cada dia e que não temos certeza de onde vai dar?…

Se não temos certeza, para que tentar ter? Se vale a aposta? Sim, acho que vale, mas, porém, todavia, entretanto, acredito mais no sonho grande. Nele tudo cabe e a vida só melhora. O caminho a ser percorrido guarda muitas possibilidades, mas se sei onde quero chegar a escada não deverá ser o único caminho.

É essa certeza – sem saber – que creio que as crianças guardam. A Wendy, do Peter Pan, convidou os garotos perdidos a um banquete, mas a mesa estava vazia. Foi então que ela pediu que todos fechassem os olhos e imaginassem a comida. Quando abriram, um delicioso banquete estava oferecido.

A Wendy nos ensinava como devíamos colocar intenção nas coisas. Tudo isso para dizer que sim: querer é poder.

* Lucas Lulúdico é brincante de alma e profissão, psicólogo clínico e social, músico por hobby, arte-educador, festejador da vida, encantado pela infância, tem uma rede no alto do abacateiro do seu quintal e acredita que a vida só melhora.

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